Caridade divulgação
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
TELHADO DE VIDRO - por Richard Simonetti
Em uma de suas viagens a Jerusalém (João, 8:1-11) Jesus compareceu ao Templo. Transmitia suas lições a expressivo grupo de ouvintes, quando surgiram alguns escribas e fariseus. Apresentaram uma mulher, explicando:
– Mestre, esta mulher foi surpreendida em adultério. Moisés ordenou-nos na Lei que seja apedrejada. Tu, pois, o que dizes?
Grave acusação, com base em dois dispositivos da Lei Mosaica:
Em Levítico (20:10): Se um homem cometer adultério com a mulher de seu próximo, ambos, o adúltero e a adúltera, certamente serão mortos.
Em Deuteronômio (22:22): Se um homem for achado deitado com uma mulher casada, ambos serão mortos…
A legislação mosaica era draconiana. A execução, não raro, envolvia a lapidação. O condenado postava-se à frente do povo, que passava a atirar-lhe pedras, até sua morte.
Povo machista, os rigores da Lei eram sempre para a mulher, em questões de fidelidade conjugal, tanto que nesta passagem somente ela estava sendo acusada, embora o flagrante, obviamente, envolvesse seu parceiro.
Havendo suspeita de adultério, por parte do marido, a esposa era submetida ao ordálio, o juízo de Deus. Era o seguinte:
Diante de um sacerdote, era obrigada a beber nauseante poção. Se lhe causasse intenso mal estar, com incontrolável regurgitação, era proclamada culpada e condenada ao apedrejamento. Se resistisse, seria absolvida.
A segunda hipótese dificilmente ocorria. A poção era forte, e ainda não existia o sonrisal.
Escribas e fariseus estavam mal intencionados.
Submetendo a adúltera a Jesus, prepararam a armadilha perfeita, infalível. Qualquer que fosse sua resposta estaria comprometido, lembrando o adágio: Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.
Se não a condenasse, estaria contestando Moisés. Falta grave. Seria apontado como traidor.
Se a condenasse, perderia a aura de bondade, o maior obstáculo à intenção de situá-lo como iconoclasta, destruidor do culto estabelecido.
O Mestre não se abalou. Sentado à maneira oriental, escrevia na areia, como se meditasse. Após momentos de eletrizante expectativa, pronunciou seu imorredouro ensinamento.
– Aquele dentre vós que está sem pecados, atire a primeira pedra.
Fosse outra pessoa e, imediatamente, escribas e fariseus, acompanhados pelo povo, desandariam a fazê-lo. Com Jesus era diferente. Dotado de incontestável autoridade espiritual, tinha pleno domínio da situação.
Pesado silêncio fez-se sentir. Ante a força moral daquele homem que devassava suas mazelas, ninguém se sentia autorizado a iniciar a execução.
Pouco a pouco, dispersou-se a multidão, começando pelos mais velhos, até chegar aos mais moços. Em breve, Jesus estava sozinho com a adúltera. Perguntou-lhe, então:
– Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?
– Ninguém, senhor.
– Nem eu tampouco te condeno. Vai e não peques mais.
Nesta passagem vemos uma vez mais a extraordinária lucidez de Jesus, ágil no raciocínio, a confundir seus opositores, e ainda aproveita o ensejo para ensinamento basilar:
Ninguém é suficientemente puro para habilitar-se a julgar as impurezas alheias.
Essa ideia é marcante no ensinamento cristão. Jesus situa como hipócritas os que não enxergam lascas de madeira em seus olhos e se preocupam com meros ciscos em olhos alheios.
Observam falhas mínimas no comportamento dos outros. Não encaram gritantes defeitos em si mesmos.
Há em relação ao assunto curiosa situação: Vemos nos outros algo do que somos.
O preconceituoso presume-se discriminado.
O maledicente imagina maldades.
O malicioso fantasia segundas intenções.
Projetamos no comportamento alheio algo de nossas próprias mazelas. Assim, o mal está em nós mesmos.
Quem estuda as obras de André Luiz percebe claramente que os Espíritos orientadores jamais usam adjetivos depreciativos.
Não dizem:
– Fulano é um cafajeste, um vagabundo, um pervertido, um mau caráter, um criminoso, um monstro…
Veem o irmão em desvio, o companheiro necessitado de ajuda, o enfermo que precisa de tratamento…
Consideram que todo julgamento é assunto para a Justiça Divina. Só Deus conhece todos os detalhes.
Mesmo quando lidam com obsessores, tratam de socorrê-los sem críticas, situando-os como irmãos em desajuste.
Faz sentido!
Somos todos filhos de Deus. Fomos criados para o Bem. O mal em nós é apenas um desvio de rota, um equívoco, uma doença que deve ser tratada.
A fórmula para essa visão tem dois componentes básicos:
A intransigência e a indulgência.
Pode parecer tolice. Afinal, são atitudes antagônicas.
Mas é simples:
Devemos ser intransigentes conosco.
Vigiar atentamente nossas ações; não perdoar nossos deslizes; criticar nossas faltas, dispondo-nos ao esforço permanente de renovação. É o despertar da consciência.
Devemos ser indulgentes com os outros.
Evitar o julgamento, a crítica e as más palavras; respeitar o próximo, suas opções de vida, sua maneira de ser.
É o despertar do coração.
Quando aplicamos essa orientação, ocorre algo muito interessante. Quanto mais intransigentes conosco, mais indulgentes somos com o próximo, exercitando o princípio fundamental: Não podemos atirar pedras em telhados alheios, porquanto o nosso é de vidro, muito frágil.e vidro, muito frágil.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Tempo Certo - Renovando Atitudes (Hammed)
Capítulo 17, item 5
“... Aquele que semeia saiu a semear; e, enquanto semeava, uma
parte da semente caiu ao longo do caminho...”
“... Mas aquele que recebe a semente numa boa terra é aquele que
escuta a palavra, que lhe presta atenção e que dá fruto, e rende cento, ou
sessenta, ou trinta por um.”
Na vida, não existe antecipação nem adiamento, somente o tempo propício
de cada um.
A humanidade, em geral, recebe as sementes do crescimento espiritual a
todo o instante.
Constantemente, a “Organização Divina” emite idéias de progresso e
desenvolvimento, devendo cada indivíduo absorver a sementeira de acordo
com suas possibilidades e habilidades existenciais.
A Natureza nos presenteia com uma diversidade incontável de flores, que
nos encantam e fascinam. Certamente, não as depreciaríamos apenas por
achar que vários botões já deveriam ter desabrochado dentro de um prazo
determinado por nós, nem as repreenderíamos por suas tonalidades não ser
todas iguais conforme nossa maneira de ver.
Nem poderíamos sequer compará-las com outras flores de diferentes
jardins, por estarem ou não mais viçosas. Deixemos que elas possam
germinar, crescer e florir, segundo sua natureza e seu próprio ritmo
espontâneo. Isso será sempre mais óbvio.
Parece racional que ofereçamos a quem amamos o mesmo
consentimento, porque cada ser tem seu próprio “marco individual” nas
estradas da vida, e não nos é permitido violentar sua maneira de entender,
comparando-o com outros, ou forçando-o com nossa impaciência para que
“cresçam” e “evoluam”, como nós acharíamos que deveria ser.
Cada um de nós possui diferenças exteriores, tanto no aspecto físico
como na forma de se vestir, de sorrir, de falar, de olhar ou de se expressar. Por
que então haveríamos de florescer “a toque de caixa”?
Nossa ansiedade não faz com que as árvores dêem frutos instantâneos,
nem faz com que as roseiras floresçam mais céleres. Respeitemos, pois, as
possibilidades e as limitações de cada indivíduo.
Jesus, por compreender a imensa multiformidade evolucional dos
homens, exemplificou nessa parábola a “dissemelhança” das criaturas,
comparando-as aos diversos terrenos nos quais as sementes da Vida foram
semeadas.
As que caíram ao longo do caminho, e os pássaros as comeram,
representam as pessoas de mentalidade bloqueada e restringida, que recusam
todas as possibilidades de conhecimento que as conteste, ou mesmo, qualquer
forma que venha modificar sua vida ou interferir em seus horizontes
existenciais. São seres de compreensão e aceitação diminuta ou quase nula.
São comparáveis aos atalhos endurecidos e macerados pela ação do tempo.
Outras sementes caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita
terra, mas logo brotaram. Ao surgir o sol, queimaram-se porque a terra era
escassa e suas raízes não eram suficientemente profundas.
Foram logo ressecadas porque não suportaram o “calor da prova”; e,
por serem qualificadas como pessoas de convicção “flutuante”, torraram
rapidamente seus projetos e intenções.
Nossas bases psicológicas foram recolhidas nas experiências do ontem.
São raízes do passado que nos dão manutenção no presente para ir adiante,
nos processos de iluminação interior.
Quando os “caules” não são suficientemente profundos e vetustos, há
bloqueios tanto em nossa consciência intelectual como na emocional. Um
mecanismo opera de forma a assimilar somente o que se pode digerir daquela
informação ou ensinamento recebido.
Assim, a disponibilidade de perceber a realidade das coisas funciona
nas bases do “potencial” e da “viabilidade evolutiva” e, portanto, impor às
pessoas que “sejam sensíveis” ou que “progridam”, além de desrespeito à
individualidade, é fator perigoso e destrutivo para exterminar qualquer tipo de
relacionamento.
Os espinheiros que, ao crescer, abafaram as sementes representam as
“idéias sociais” que impermeabilizam a mentalidade dos seres humanos, pois,
no tempo do Mestre, as leis do “Torah” asfixiavam e regulamentavam não
somente a vida privada, mas também a pública.
Os indivíduos que não pensam por si mesmos acabam caindo nos
domínios das “normas e regras”, sem poder erguer em demasia a sua mente,
restrita pelas idéias vigentes, o que os sentencia a viver numa “frustração
grupal”, visto que seu grau de raciocínio não pode ultrapassar os níveis
permitidos pela comunidade.
Jesus de Nazaré combateu sistematicamente os “espinhos da opressão”
na pessoa daqueles que observavam com rigor rituais e determinações das
leis, em detrimento da pureza interior. Dessa forma, Ele desqualificou todo
espírito de casta entre as criaturas de sua época.
As demais sementes, no entanto, caíram em boa terra e deram frutos
abundantes. O que é um “solo fértil”?
Nossos patrimônios de entendimento, de compreensão e de
discernimento não ocorrem por acaso, porqüanto nenhum aprendizado nos
envolverá profundamente se não estivermos dotados de competência e
habilidades propiciadoras.
A boa absorção ou abertura de consciência acontece somente no
momento em que não nos prendemos na forma. Aprofundarmo-nos no
conteúdo real quer dizer: “Quem não quebra a noz, só lhe vê a casca”. Mas
para “quebrar a noz e preciso senso e noção, base e atributos que requerem
tempo para se desenvolverem convenientemente. A consciência da criatura,
para que seja receptiva, precisa estar munida de “despertamento natural” e
“amadurecimento psicológico”.
Reforçando a idéia, examinemos o texto do apóstolo Marcos, onde
encontramos: “porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a
espiga, e por ültimo o grão cheio na espiga”. (1)
O Mestre aceitava plenamente a diversidade humana. Ele se opunha a
todo e qualquer “nivelamento psicológico” e, portanto, lançou a Parábola do
Semeador, a fim de que entendêssemos que o melhor apoio que prestaríamos
a nossos companheiros de jornada seria simplesmente esperar em silêncio e
com paciência.
Portanto, compreendamos que a nós, somente, compete “semear”; sem
esquecer, porém, que o crescimento e a fartura na colheita dependem da
“chuva da determinação humana” e do “solo generoso” da psique do ser, onde
houve a semeadura.(1) Marcos 4:28
Sacudir o pó - Renovando Atirudes (Hammed)
“... Quando alguém não quiser vos receber, nem escutar vossas
palavras, sacudi, em saindo dessa casa ou dessa cidade, o pó de vossos
pés...”
“... Assim diz hoje o Espiritismo aos seus adeptos: não violenteis
nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar sua crença para
adotar a vossa...”
(Capítulo 21, itens 10 e 11.)
Não nos influenciemos pelos feitos alheios. Nossas atitudes devem
realmente nascer de nossas inspirações mais íntimas, e não constituir uma
forma de “reagir” contra as atitudes dos outros.
Não permitamos que emoções outras determinem nosso modo peculiar
de pensar e agir; caminhemos sobre nossas próprias pernas, determinando
como agir.
“Quando alguém não quiser vos receber, sacudi o pó de vossos pés”. A
recomendação de Jesus poderá ser assim interpretada: não devemos impor
aos outros o constrangimento de convencê-los à nossa realidade, como se
nossa maneira de traduzir as leis divinas fosse a melhor; nem achar que a
Verdade é propriedade única, e que somente coubesse a nós a posse
exclusiva desse patrimônio.
Em muitas ocasiões, a título de aconselhar melhores opções e diretrizes,
no sentido de esclarecer e priorizar a seleção de atitudes dos outros, que, na
verdade caberia a eles próprios desempenhar, nós extrapolamos nossas reais
funções e limites, transformando o que poderia ser esclarecimento e orientação
em abuso e ocupação indevida dos valores e domínios dos indivíduos.
Sentimos necessidade de “corrigir” opiniões, “indicar” caminhos, “induzir”
experiências, privando as pessoas de exercer opções e de vivenciar suas
próprias experiências. Deixando-as cair e se levantar, amar e sofrer, estamos,
ao contrário, permitindo que elas mesmas possam angariar seus próprios
conhecimentos e, dessa forma, estruturar sua maturação e crescimento
pessoal.
“Deixar casas e cidades que não nos ouvem as palavras” é demonstrar
que não temos a pretensão de únicos possuidores da revelação divina e que,
não fosse nossa intermediação, as criaturas estariam desprovidas de outros
canais de instrução e conhecimento divino.
“Reter o pó em vossos pés” é não ter a visão da imensidade e
diversidade das possibilidades universais, que apóiam sempre as criaturas de
conformidade com sua idade astral e sempre no momento propício para seu
crescimento íntimo.
A Vida Maior tem inúmeras vias de inspiração e revelação, a fim de
conduzir os indivíduos a seu desenvolvimento espiritual; portanto, não
devemos nos arvorar em indispensáveis dignitários divinos.
Lancemos as sementes sem a pretensão de aplausos e reconhecimentos,
mesmo porque talvez não haja florescimento imediato, mas na
terra fértil dos sentimentos humanos haverá um dia em que o campo produzirá
a seu tempo.
Ao aceitarmos as pessoas como indivíduos de personalidade própria,
respeitando suas opiniões, ideias e conceitos, até mesmos seus preconceitos,
estaremos dando a elas um fundamental apoio para que escutem o que temos
para dizer ou esclarecer, deixando depois que elas mesmas, conforme lhes
convier, mudem ou não suas diretrizes vivenciais.
Talvez o servo imprudente, arraigado no orgulho, esperasse louros
dourados de consideração e entendimento de todos os que o escutassem, e
que fosse amplamente compreendido em suas intenções, mas por enquanto,
na Terra, o plantio é ainda difícil e as colheitas não são generosas.
Há muitas criaturas intransigentes e rigorosas que não entendem,
impõem; não ensinam, pregam; não amam, manipulam; não respeitam,
criticam; e por não usarem de sinceridade é que fazem o gênero de “suposta
santidade”.
Portanto, se não formos bem acolhidos nos labores que
desempenhamos na Seara de Jesus, silenciemos sem qualquer “reação” aos
contratempos e aguardemos as providências das “Mãos Divinas”.
Nesse afã, prossigamos convictos de nosso ideal de amor, palmilhando,
entre as realizações porvindouras rumo ao final feliz, nosso próprio caminho,
cujo mapa está impresso em nosso coração.
Simplesmente um sentido - Renovando Atitudes (Hammed)
pessoas indignas e capazes de fazer mau uso dela...”
“... a mediunidade se prende a uma disposição orgânica da qual todo
homem pode estar dotado, como a de ver, de ouvir, de falar...”
(Capítulo 24, item 12.)
Mediunidade é uma percepção mental por meio da qual a alma sutiliza,
estimula e aguça seus sentidos, a fim de penetrar na essência das coisas e das
pessoas. E uma das formas que possuímos para sentir a vida, é o “poder de
sensibilização” para ver e ouvir melhor a excelência da criação divina.
Faculdade comum a todos, é nosso sexto sentido, ou seja, o sentido que
capta, interpreta, organiza, percebe e sintetiza os outros cinco sentidos
conhecidos.
Nossa humanidade, à medida que aprende a desenvolver suas
impressões sensoriais básicas, automaticamente desenvolve também a
mediunidade, como conseqüência. Também conhecida como intuição ou
inspiração, é ela que define nossa interação com o mundo físico-espiritual.
As reflexões direcionadas para as áreas morais e intelectuais são muito
importantes, pois abrem contatos como “perceber” ou com o “captar”, o que
nos permite ouvir amplamente as “sonoridades espirituais” que existem nas
faixas etéreas, das diversas dimensões invisíveis do Universo.
Por outro lado, a mediunidade nunca deverá ser vista como “láurea” ou
“corretivo”, mas unicamente como “receptor sensório” - produto do processo de
desenvolvimento da natureza humana.
Foram imensos os tempos da ignorância, em que a ela atribuíam o
epíteto de “dádiva dos deuses” ou “barganha demoníaca”; na atualidade,
porém, está cada vez mais sendo vista com maior naturalidade, como um
fenômeno espontâneo ligado a predisposições orgânicas dos indivíduos.
Ver, todos nós vemos, a não ser que tenhamos obstrução dos órgãos
visuais; já as formas de ver são peculiares a cada sensitivo. Escutar é
fenômeno comum; no entanto, a capacidade de ouvir além das aparências das
coisas e das palavras articuladas é fator de lucidez para quem já desenvolveu
o “auscultar” das profundezas do espírito.
Além do mais, a facilidade de comunicação com outras dimensões
espirituais não é dada somente aos chamados “agraciados” ou “dignos”,
conforme nossa estreita maneira de ver. Como a Natureza Divina tem uma
visão igualitária, concedendo a seus filhos, sem distinção, as mesmas
oportunidades de progresso, é autêntica a sábia assertiva: “Deus não quer a
morte do ímpio”, (1) mas que ele cresça e amadureça dispondo da
multiplicidade das faculdades comuns a todos, herança divina do Criador para
suas criaturas.
Por isso, encontramo-la nos mais diferentes patamares evolutivos, das
classes sociais e intelectivas mais diferenciadas até as mais variadas
nacionalidades e credos religiosos. Embora com denominações diferentes, a
mediunidade sempre esteve presente entre as criaturas humanas desde a mais
remota primitividade.
A propósito, não precisamos ter a preocupação de “desenvolver
mediunidade”, porque ela, por si só, se desenvolverá. É imprescindível,
entretanto, aperfeiçoá-la e esmerá-la quando ela se manifestar
espontaneamente. Nunca forçá-la a “acontecer”, porque, ao invés de
deixarmos transcorrer o processo natural, nós iremos simplesmente “fazer
força”, ou melhor, “agir improdutivamente”.
Em vista disso, treinamentos desgastantes para despertar em nós “dons
naturais” é incoerente. Saber esperar o amadurecimento dos órgãos infantis é
o que nos possibilitou ver, falar, andar, ouvir, sentir, saborear ou preferir. Por
que então a mediunidade, considerada uma aptidão ontogenética do organismo
humano, necessitaria de tantas implicações e imposições para atingir a
plenitude?
Aprofundando nossas apreciações neste estudo, encontramos, no “dia
de Pentecostes”, (2) uma das maiores afirmações de que são espontâneas as
manifestações mediúnicas e de que é natural seu despertar junto aos homens,
quando foram desenvolvidas repentinamente as possibilidades psicofônicas
dos apóstolos ao pousar “línguas de fogo”, isto é, “mentes iluminadas” sobre
suas cabeças, sem que eles esperassem ou invocassem o fenômeno.
A sensibilização progressiva da humanidade é uma realidade. Ela se
processa, nos tempos atuais, de maneira indiscutível, pois, em verdade, “o
Espírito é derramado sobre toda a carne”, (3) tomando os efeitos espirituais
cada vez mais eloqüentes, incontestáveis e generalizados.
(1) Ezequiel 33:11.
(2) Atos 2:1 ao 8.
(3)Atos 2:17
domingo, 22 de setembro de 2013
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